Está tudo tão claro, me cego de repente, porque não quero ver tudo isso parada e presa no alto dessas emoções, como eu posso descer e simplesmente ir com você? Eu te olho querendo dizer coisas apenas com um olhar, e você me entende, tenta me salvar, mas eu me submeto, como todos os dias porque eu preciso disso, e como é bom encontrar motivos maiores do que esse prazer obscuro que no fundo eu sinto, mas não quero admitir, nunca ninguém irá saber. Parada em frente a essas portas altas, atrás delas é onde eu deveria estar, mas eu estou sentada nesse couro macio enquanto você parado na calçada tenta me convencer do contrário, mas eu não acredito nas suas promessas, é tão fácil corromper alguém como eu. A tinta me disfarça a pureza, eu consigo adormecer mesmo com todo esse barulho, porque é só o que me resta fazer. Que lugar é esse que deixou eu me esvair tão facilmente? Como a água da chuva, como a areia que escapa por entre os dedos. Amanhã é outro destino, outra identidade, outra históri...