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Mostrando postagens de 2015

Enfim, o fim

Muitas vezes sou um perigo para mim mesma, minha mente é um carrossel, eu sinto tudo e depois não sinto nada. Tinha uma coisa trancada aqui, os meus sem cor e eu quase me apagando, então depois de você, o mundo, as novidades, os planos, uma esperança. Pela primeira vez acordei e não era você que estava na minha cabeça, e foi como respirar depois de um bom tempo sufocando. Espero que seu ego já tenha sido inflado o suficiente por mim, porque essa atenção não será mais sua, se você queria me ver feliz, fique em paz, eu estou agora, as coisas passam, mesmo as que mais doem, mas o amor cura, o amor da sua gente, dos amigos de verdade, que te olham e conseguem enxergar em você o que às vezes você não conseguia mais, e recarregam toda a energia perdida numa história torta e de mentira. Amar nunca foi fazer isso, e não se cresce assim, você pode estar fazendo muitas coisas, mas eu não sei se classificaria como "crescendo". Acho que amor foi ter ido embora, desamor foi não ter ido...

Para quem não lerá

Faz três anos que nos conhecemos, é pouco tempo se eu analisar minha amizades mais sólidas, nosso contato foi direto nesses três anos, mas não se solidificou, se dispersaram três anos em seis meses, e nos espalhamos por aí em lençóis e luzes. Você não precisava ter feito dessa forma, apenas isso, de um jeito onde eu, cercada de pessoas, apena uma me fez sentir em completa solidão, jamais imaginei que nos tornaríamos total desconhecidas uma para a outra, e que eu me tornaria pra você o que todas as outras foram. Sei nada e tudo dessa história, e sei também que não existe mais amor, e se existe, nem eu nem você nunca mais tocaremos no assunto, provavelmente pra você acabou antes, eu sei, o fim de todos os casais. Embalando os móveis eu vi cada pedaço da nossa história indo embora de vez, naqueles plásticos estava sufocado também a atenção que eu quis te dar e o erro por ter te implorado por amor, me assemelhei ao móveis por seu desuso total quando não são mais úteis, ou novos ou quand...
Gostaria de dizer que o que nos mantém juntas são essas vindas repentinas e o ódio, a sede, mas só quebramos de vez, sem sexo de despedida, sem incertezas, sem saudades, apenas a lacuna que ficou entre meu ano de 2012 até então, apenas essa história que eu nunca vou entender. Logo vai ficar cada vez mais longe, não dá tempo mais...

Batalha de copas

Nunca imaginei que eu teria que lutar com você, que entraria num embate entre eu e suas palavras fáceis mas sempre insinuosas, nunca imaginei que teria que lutar com você uma luta muda, onde a minha única arma é a percepção e a obviedade de toda essa situação. Nunca imaginei que pra lutar com você teria que lutar comigo mesma, que eu seria minha própria armadilha, que eu me deixaria tantas vezes numa emboscada, nunca imaginei que você me tornaria a pior inimiga de mim mesma, e que eu seria sua maior aliada. Nunca imaginei que eu teria que lutar com quem dizia que ia cuidar de mim, com quem a presença me fazia sentir proteção, nunca imaginei que eu teria lutar com meu mais fiel soldado. Não quero ser redundante mas nunca, nunca imaginei que teria que lutar contra nenhum mal que você me causaria, nunca imaginei que você me causaria algum mal. Nunca imaginei que um dia eu teria que desistir de você, de te convencer, de te mostrar, de te provar, pra começar a lutar, lutar no exército do...
Não é uma superação, não é um acordo, não é uma súplica, eu estou dando minhas próprias mãos num aperto, me abraçando, me olhando nos olhos e pedindo a mim mesma para parar, me implorando para me deixar ser feliz, para me deixar amar outra pessoa, estou pedindo a mim mesma para deixar alguém me amar, ou me colocando em frente ao espelho e tentando amar a pessoa que vejo, já não tem porquê pedir pra você mais nada, você não tem mais o que me dar. Te culpar pela minha enorme tristeza, berrar minha dor, escancarar meu peito pra você, me despir na sua frente como eu jamais fiz com outra pessoa, lançar mão de qualquer escudo, espada, arma contra o que sua presença/ausência me causa, já não adianta, nunca. Eu não tenho a menor possibilidade de te levar num lugar especial no dia do seu ano novo, e não tem a menor possibilidade de você querer ir a qualquer lugar comigo, quem sabe se eu tivesse todo o dinheiro que poderia comprar pra você o melhor lugar, com a melhor vista, com o melhor cardá...

Tiê-Sangue

Eu quase consegui bater asas e voar pra longe da gaiola que me aprisiona enquanto  insisto no Pássaro - Preto que mora nela, eu Tiê-Sangue, vou perdendo a cor até minguar, vou deixando de cantar, esperando na gaiola do meu coração de passarinho, aquele Pássaro - Preto que não me completa mais. Vou esquecendo que tenho minhas próprias asas vermelho vivo, meu vôos, meus semelhantes, minha própria vida aérea pra me entregar, e vou vivendo a espera do Pássaro- fúnebre, que não vem, que não quer, que não, só não. Não adianta esperar outro pássaro aparecer, tem que voar distraída, tem que se encantar novamente, pra poder encantar novamente, então outra ave vem, e vem sem se fazer esforço pra ela ficar, e ela abre a gaiola e te tira de lá porque não tem porquê você esperar, ela acontece, ela vem, ela sim. Tiê-Sangue volta a se pintar, esquece os que a esqueceram, volta a cantar em outro ninho, porque amor de passarinho não é isso não, aprende Tiê-Sangue, voa de vez, não esquece do que ...
Não adianta perguntar porque você sempre vai embora, você já foi de novo e eu  só tenho que outra vez, costurar o que fica aberto dentro de mim, qual o prazer doentio nisso tudo? Por que parece ser tão proposital? O que eu te fiz de mal pra você me infligir esse sofrimento? Eu te perguntei já, eu te pedi pra não fazer de novo. Quando curar, quando fechar, não me abra de novo, dessa vez as malas estão na porta, e logo as minhas não vão estar mais aqui, logo o ar que eu vou respirar não será mais o mesmo.

Até

Aqui está todo o meu refúgio e tudo de mais sincero que existe dentro de mim, queria me enfiar nessas palavras e virar uma letrinha, um verbo temperamental, uma preposição, um pronome, qualquer coisa que não sentisse nada e cumprisse seu papel simples de formar frases e conseguir ser compreendido. Aqui está tudo que não vai fazer mais nada além de conseguir absorver todas as palavras que têm que sair de mim, e tentar afastar essa tristeza insistente, que por mais que eu corra, me alcança e me amarra em dias intermináveis, queria partir pro momento em que eu vou ser uma professora muito boa, uma doutora muito capacitada, uma pessoa viajada e sábia, pra casa com jardim e uma cozinha grande, quem sabe cheia de crianças, com um alguém que vai estar lá pra quando eu chegar do trabalho e vai me dar a certeza do sim e vai me curar e vai me deixar caminhar ao seu lado, sendo o melhor que eu posso ser. Queria partir logo pra esses minutos longe de tudo isso que vem me afogando, eu to com sau...

Antes do 3

Há um ano atrás, nessa data, choveu tanto quanto se podia chover, a água veio como se pra lavar todo o chamado "inferno astral" para os crédulos, esse ano a chuva tem muito o que lavar. O que aconteceu foi que ontem, o calor insuportável dessa cidade quente deu espaço a um vento fortíssimo e refrescou tudo, eu estava na UNESP e fiquei perplexa com o ar frio que entrava na sala. Eu como uma irremediável simbolista, constatei que o que a chuva ano passado veio lavar, o vento esse ano foi espalhar. A fase nova que estou prestes a começar, de braços abertos e coração limpo, espalhar, porque agora é novamente hora de cortar raízes e seguir a estrada que me levará a algum lugar que eu chamarei de casa. Tudo aqui cumpriu seu papel, tudo está sendo devidamente aprendido, amanhã é a data mais importante da minha vida, literalmente, tirando o aniversário da minha mãe, é um novo ciclo que começa nesse ano do qual eu tive tanto medo de começar. Daqui a pouco é o meu dia.

Se despedindo

Não conseguia entender como você me levou do céu ao inferno tantos dias na minha vida, como você me deu ar e me tirou toda a vida num curto espaço de tempo. Eu fui feliz como achei que não merecia, e triste igualmente. Vai que o seu papel tenha sido o de me mostrar que nada vai durar para sempre, nem a felicidade, nem a tristeza e que tem tantas dúvidas e mentiras sinceras em frases que soam como verdades absolutas. Às vezes no meio da incerteza a gente falou alguma coisa que realmente desejou que fosse verdade, mas não conseguiu fazer com que fosse. Agora o sofrimento acabou, mas ainda vai ficar em mim o desgosto de ter ficado tão feio, e pode ser que o triste seja saber que no fim, da vida ou de três meses, passa, será que então não foi legítimo? Será que só vale se sofrer pra sempre, e voltar sempre que você quiser surgir em alguma esquina? Se for assim, aceito a ilegitimidade, esse formato não me cabe. Não sei o que se passa na sua cabeça, não te conheço mais, você também já me ...

Catástrofe

Depois que a gente cresce, percebemos as rachaduras que muitas vezes não víamos durante a infância, vemos que nossa família é muito mais do que aquele quadro pendurado na parede, muita mais complexa, densa, cheia de segredos ou mágoas. Percebemos que as tragédias não acontecem só pela televisão, e que nós e as pessoas que a gente conhece e muitas vezes ama, estão à mercê de todas elas, das naturais às humanas. Minha melhor amiga perdeu um prim da mesma idade que a nossa, uma mãe, rompendo toda a ordem natural das coisas, perdeu um filho de 23 anos, uma mocinha ficou sem um irmão mais velho, e o que fica é o gosto amargo da incompreensão. Algumas coisas simplesmente a gente nunca vai entender, como a morte. Quem sabe um dia quando chegar a nossa vez, de algum lugar bateremos com a palma da mão na testa e bradaremos: "Ahh, agora entendi!" Enquanto ficamos aqui vivos, continuamos a viver o mais normalmente conseguirmos, mesmo com todas as perdas e catástrofes, naturais ou hu...

Resiliência

Foi assim de repente que tudo que passou se assemelha a uma névoa que passou sobre a vida que não me pertencia, depois da viagem, do encontro com os meus e com os outros, eu retomei o que tem importância na minha vida, voltei ao meu cerne e pude sorrir, e sorri bastante, gargalhei, vivi, e agora, finalmente a paz. É estranho de repente dois anos terem se esvaído como se aquela de antes não fosse quem eu realmente sou, a culpa que tenho, é a de me dividir a ponto de me esquecer, mas depois da tempestade, da dor que só eu sei, de toda a merda, eu renasço dentro de mim mesma e me conheço de novo pela segunda vez e a recompensa é muito boa. Briguei com o meu destino, mesmo sabendo e sentindo que era pra ser assim, minha vida sempre tão cheia de simbolismos, se uniram todos pra me dizerem e eu desviava o olhar pra não entender, mas eu consegui agora, e esses dois meses me pareceram anos, ainda bem que foram só dois meses. Consegui ser resiliente, aquela Ana não era essa, aquela Ana que p...

Fuga- lembranças

Hoje eu li, faz mais de um ano da primeira e única carta que você me escreveu, o tempo é relativo, parece que não faz tanto assim, eu parei de fazer coisas importantes pra vir escrever essa fuga, parece que faz mais de 10 anos desde a última vez que eu te conheci. Estou fugindo hoje, quero partir lenta e calmamente, odeio os sinais, odeio os indícios. Essa fuga é pra não esquecer de não esquecer, ensaquei memórias e essas eu deixo, não quero dizer, mas queria me prender no instante daquela carta. Um dia foi verdade, em um dia, espaço demais.
Às vezes num sábado chuvoso, pós ressaca da sexta-feira memorável, eu me lembro de lembrar de você, e esqueço que isso pode me ferir. Eu penso em te escrever pra te sentir, mais uma da infinidade de últimas vezes, dái eu me lembro de como isso vai me prejudicar, de como é uma relação de dar e nada receber, e resolvo escrever aqui, nessa página em branco que vai com certeza absorver mais do que eu sinto. E eu me lembro de passar, como os seus, mas diferente, como sempre fui, passar de verdade, definitivo como a sua escolha, é o meu jeito de estancar. É o meu jeito de enfrentar as mentiras, e ilusões, de afugentar a tristeza por não poder sentir mais o propósito universal  que nos ligava. Foram muitos sonhos e muitas ilusões, no final, não tem desproporção. No final era isso, nada de especial.

Sobre essa enorme paçoca

Eu vim pra essa cidade, acreditando que o amor era doce, mas já naquela época, eu tentei disfarçar o gosto azedo com um pouco mais de açúcar ou com cores mais coloridas, mas eu sabia já, é mãe... você tinha razão. Bom, depois de tudo que aconteceu com um e com outros, eu estava decidida acerca do amor, ele não era pra mim e era doce sim, uma paçoca esfarelenta, que quebra fácil e depois não dá nem pra ver pra onde foram as migalhas, e de migalhas eu nunca gostei, não gosto de ter que chupar o dedo pra pegar os restinhos, gosto de encher a mão. Foi num começo de ano promissor que eu varri da minha cabeça a imagem da paçoca ideal e me pus a olhar pra lua e imaginar que lá havia São Jorge, ou um rato cantor, ou alguma coisa que eu achasse bonita, e dessa vez o doce parecia melhor do que o primeiro, ou melhor, pareceu por um tempo, depois começou a mostrar os amendoins e farelos, mas eu corajosa, varri todos eles pra debaixo do tapete. Às vezes não sei se é coragem, insistência, muitas v...

Mudou-se

Volta pra casa, tá ficando tarde, tá fazendo frio, tá sobrando espaço. Volta pra casa e vem ver como as coisas mudaram de lugar, mas a gente empurra o sofá de volta e coloca aquele tapete que você gosta, as panelas estão limpas, dá pra cozinhar. Volta pra casa e vem ver tua gente, deixa eu te dar um abraço aqui...isso, assim. Entra e bate o portão, que anda perigoso lá fora, tem passado uma gente que eu nunca vi. Volta pra casa e honra com suas palavras diferente de com o teu contrato, volta...Peraí, não sei se vou conseguir abrir a porta, tá emperrada, tá velha, ainda tem a dos fundos, cadê a chave? Você perdeu por aí? Era pra não voltar?  Eu entendi, pega pela janela as malas então, tem bastante coisa, mas nada que não passe pelas grades, dá pra amassar bem e forçar pelo vão, leva hoje ainda que amanhã eu vou sair, leva hoje que só por hoje eu me seguro pra não derrubar a porta da frente, leva hoje cedo, que de tarde já basta nós.

Pra alguém que ainda vai chegar e me encher de luz

Meu amor, vem aqui, vou te colocar no colo e contar uma história bonita, não fica com medo dessas sombras, na maioria das vezes são árvores, na outra só sombras...  Fica feliz que logo a vida vai te trazer umas surpresas gostosas, enxuga essas lágrimas de dor, elas rolam e não voltam, eu vou segurar sua mão quando você achar que vai cair, e se você cair, eu ainda estarei lá segurando sua mão, seu peso, suas mágoas, eu não sou ele que foi embora, eu não preciso ir a lugar algum, é aqui que eu quero estar, e eu não tenho dúvida.

De encontro

Oi, quanto tempo! Eu só estava passando, nunca mais entrei nessa rua, nem naquele café, nem nessa cidade, nunca mais! Na verdade continuo nos mesmos lugares, mas é outra de mim, não era aquela de três anos atrás, nem da semana passada, foi outra que chegou aqui, às vezes a gente tem que deixar pra trás algumas coisas, porque elas se tornam muito pesadas pra carregar. Sim, eu tive coragem, ela aparece às vezes do nada, diz o que tem que dizer e vai embora, ela veio e me deixou ali prostrada quando foi embora, mas já tinha dito tudo. A culpa? Ah, a culpa foi do horóscopo, do 2015, do ano de Marte, a culpa foi da crença, na metafísica e nas pessoas. Sim, me disseram que não há culpados, e quem eu culpo nesse caso? É, eu não lembro de muita coisa, eu quis esquecer algumas, outras o tempo levou, o tempo faz isso não é? Quando você acha que ele pode trazer com o passar dos anos, ele esfria o café, apaga a chama, e queima em outro lugar, é muita responsabilidade pro tempo, coitado... Ah s...

O moercego e a gata

Ele voava não esperando nada de diferente da vida, vivia basicamente, no simples sentido da palavra viver. Ela era do chão, algumas vezes das alturas, mas sempre segura do alto de suas superfícies, ansiava pela vida ao ar livre, da clausura de sua total comodidade. O cenário era um entardecer vermelho de frio outono, ele voando distraído, fora parar do outro lado do muro, a vida ficou para fora, ela estava em seus raros momentos de liberdade, e se espreguiçava. Distraído com tamanha novidade bateu no muro e caiu, viu sua fera e suas unhas, assutado pensou no seu fim, mas enfim, que bela criatura pela qual morrer. Mas não, o encanto era recíproco, ela admirada com tudo aquilo que ela nunca tinha visto, o encontro silencioso selou um acordo: veriam-se novamente. Na tarde seguinte, só se podia observar ele voando suave e macio, e ela divertida e rápida, sentindo no breve toque de seus pêlos macios, tudo aquilo que o coração não podia entender. Ele que ocupava o imaginário popular como ...