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Mostrando postagens de julho, 2010

Minha pluralidade

Eu sou, não quero, não vou, mas eu sou, não tento, não ouso, sou momentânea, eu ligo o volume alto e me sento sugando acordes e poesia, e eu penso onde isso poderia me levar, e eu vejo que a tantos lugares, e há tantas possibilidades, mas elas não aparecem, e de tão errada e incerta, nunca começo por falta de saber. Falta alguma coisa, falta TANTA coisa, sobram tantos medos, e eu não sei do que eu preciso, se de um lugar ou de um amigo, de um dia inesquecível, ou uma outra noite de sono, um reconhecimento, ou o "me esqueçam, deixem-me viver". Ai, deixa eu tornar isso fácil, é isso que a música pede, vou me arrumar um programa, na verdade queria algo que me consumisse enquanto eu fizesse o mesmo, não que eu não preste, eu sou errada, e eu mereço. O que eu pareço ser, não sou, mas ninguém sabe disso, eu sou a minha verdade, e tão só minha, mas eu queria que todos soubessem, eu queria poder mostrar, eu queria ser tantas, mas sou apenas uma.

Amor meu

Um ponto apenas, um torto ponto, um tanto seu, um tanto nosso, a interrogação que o amor não deveria impor, a dúvida que a saudade nos deixa, a certeza que o tempo nos tira. Mas você sabe que é tão seu tudo que eu tenho, o que eu faço, e o que eu poderia fazer se soubesse como. A impaciência que bate no meu coração e a dor que a hipótese me causa, o desespero por não poder fazer metade do que se quer, de não ser metade do merecido. Será que eu disse que um dia aconteceria? Eu pensei nisso como uma possibilidade? Nós corremos demais pra isso dar certo, ou então seria perfeito, qual dessas parece se encaixar? Temos um ao outro, mas temos mais tanta gente, quem nos tem que diga por nós, quem somos para eles? Somos os mesmos um para o outro? Deveríamos ser, e deveríamos estar mais, ouvir e calar, ouvir no silêncio do outro o amor que não precisa ser dito. Acontece pra você? Não! Eu perguntei primeiro. Todas as chances em nossas mãos, toda a vida que nós tanto temos, todos os erros cometido...

Fragilidade

Tem um desassossego que insiste em aqui morar, ele precisa de um programa, algum lugar pra ir, alguém com quem compartilhar, ele precisa ser visto, ser saciado extinguido. Ele mora nos meus pés e embaixo da mesa, nas minhas mãos, sai da minha fala e pele. Ele quer dormir por semanas e se levanta cansado, disposto a sentir o que não vê e o que muitas vezes não existe, esperando sempre ser salvo por alguém especial, com atenções e surpresas, oh fingimentos! Oh enganos tão sutis. As dores não são físicas, tem um tanto de emocional, eu começo a sentir o que a mente não se esquece, é o desassossego que me enfurece, que me atira as coisas janela abaixo, a falta de uma música que se encaixe, a falta de palavras que expressem, o querer de ser, ser o que não deve ou do que não pode. O nulo, o complexo, que de repente flui tão facilmente, como costumava fluir, por todos os poros, despertando todas as emoções e aliviando o que se agarrava, sempre preso ao coração comprimido num corpo que não se ...

Dia-a-dia

Não existe mais profundidade, é tudo tão voraz, tudo passa tão correndo, esperamos tanto de nós, espero tanto dos outros. O que poderia significar um quadro berrante? Eu preciso de sentimentos, sentimentos os quais me abandonaram, eu tinha tantos, mas agora me sinto tão oca, isso desespera, destrói. Toda hora indo para um lugar diferente, sempre mais uma na multidão, como um dia isso me soou como vida? É um calvário, o enterro da leveza que um dia existiu, extinguida, resumida em provações e obrigações. Eu lembro do dia, mas não vejo a claridade, faz um frio doído que gela o meu rosto e corta meus lábios, quando esticam-se num sorriso, sangram, olho pro espelho: "Não desista, não desista". Preciso de dias, dias para mim, noites quentes, pele macia, cabelos ao vento, tudo que merece a nossa idade, tudo que de repente ficou tão distante e triste. Mais horas nesse relógio surdo, que não mostra o tempo, conta o tempo.