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Mostrando postagens de junho, 2015

Sobre essa enorme paçoca

Eu vim pra essa cidade, acreditando que o amor era doce, mas já naquela época, eu tentei disfarçar o gosto azedo com um pouco mais de açúcar ou com cores mais coloridas, mas eu sabia já, é mãe... você tinha razão. Bom, depois de tudo que aconteceu com um e com outros, eu estava decidida acerca do amor, ele não era pra mim e era doce sim, uma paçoca esfarelenta, que quebra fácil e depois não dá nem pra ver pra onde foram as migalhas, e de migalhas eu nunca gostei, não gosto de ter que chupar o dedo pra pegar os restinhos, gosto de encher a mão. Foi num começo de ano promissor que eu varri da minha cabeça a imagem da paçoca ideal e me pus a olhar pra lua e imaginar que lá havia São Jorge, ou um rato cantor, ou alguma coisa que eu achasse bonita, e dessa vez o doce parecia melhor do que o primeiro, ou melhor, pareceu por um tempo, depois começou a mostrar os amendoins e farelos, mas eu corajosa, varri todos eles pra debaixo do tapete. Às vezes não sei se é coragem, insistência, muitas v...

Mudou-se

Volta pra casa, tá ficando tarde, tá fazendo frio, tá sobrando espaço. Volta pra casa e vem ver como as coisas mudaram de lugar, mas a gente empurra o sofá de volta e coloca aquele tapete que você gosta, as panelas estão limpas, dá pra cozinhar. Volta pra casa e vem ver tua gente, deixa eu te dar um abraço aqui...isso, assim. Entra e bate o portão, que anda perigoso lá fora, tem passado uma gente que eu nunca vi. Volta pra casa e honra com suas palavras diferente de com o teu contrato, volta...Peraí, não sei se vou conseguir abrir a porta, tá emperrada, tá velha, ainda tem a dos fundos, cadê a chave? Você perdeu por aí? Era pra não voltar?  Eu entendi, pega pela janela as malas então, tem bastante coisa, mas nada que não passe pelas grades, dá pra amassar bem e forçar pelo vão, leva hoje ainda que amanhã eu vou sair, leva hoje que só por hoje eu me seguro pra não derrubar a porta da frente, leva hoje cedo, que de tarde já basta nós.