Eu vim pra essa cidade, acreditando que o amor era doce, mas já naquela época, eu tentei disfarçar o gosto azedo com um pouco mais de açúcar ou com cores mais coloridas, mas eu sabia já, é mãe... você tinha razão. Bom, depois de tudo que aconteceu com um e com outros, eu estava decidida acerca do amor, ele não era pra mim e era doce sim, uma paçoca esfarelenta, que quebra fácil e depois não dá nem pra ver pra onde foram as migalhas, e de migalhas eu nunca gostei, não gosto de ter que chupar o dedo pra pegar os restinhos, gosto de encher a mão. Foi num começo de ano promissor que eu varri da minha cabeça a imagem da paçoca ideal e me pus a olhar pra lua e imaginar que lá havia São Jorge, ou um rato cantor, ou alguma coisa que eu achasse bonita, e dessa vez o doce parecia melhor do que o primeiro, ou melhor, pareceu por um tempo, depois começou a mostrar os amendoins e farelos, mas eu corajosa, varri todos eles pra debaixo do tapete. Às vezes não sei se é coragem, insistência, muitas v...