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Mostrando postagens de novembro, 2017

Perda de tempo

Tinha dentro de si um relógio que contava o tempo perdido. Todo dia seu relógio interior avançava alguns minutos e formava horas e mais horas. Acumulava horas gastas tentando adivinhar o que estava acontecendo ao seu redor para que se sentisse tão sozinha, horas em que ficava imóvel de medo de dar o próximo passo, horas em que tentou convencer alguém a lhe dar amor, a entender o seu, ou a ao menos compreender o que se passava dentro dela. Seu relógio não andava ritmadamente como todo relógio. Seus ponteiros aceleravam quando ficava muito triste, quando começava a se desconhecer e se assemelhar mais com sua sombra do que com sua presença viva, e  ele nunca despertava. Só se deu conta de seu fardo quando já estava velha o suficiente para começar a se preocupar com perdas de tempo. O que a deixava por vezes confusa: Se seu relógio acumulava horas perdidas, como poderia considerar aquele tempo, perdido por completo? Não levaria com ela para sempre, todo o tempo que perdeu? Um dia d...