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Mostrando postagens de fevereiro, 2017

Trechos de uma paixão fictícia

Me lembro de uma vez, tínhamos uma festa para ir, marcamos de nos encontrar às nove em frente a estátua, nós dois saímos pra beber a tarde aquele dia, eu com meus amigos, você com os seus. Às nove você estava impecavelmente lá me esperando, eu estava chegando em casa, largando minhas roupas pelo chão e entrando no banho, miseravelmente atrasado. Quando eu finalmente chego, com a maior cara de cachorro sem dono, minha tensão em enfrentar a sua fúria se dissolveu quando vi você lá sentada, as pernas cruzadas num vestido solto, um salto que ninguém estava acostumado a ver você usando, a boca vermelha, a boca que me enlouqueceu desde a primeira vez que eu senti, você fumava um cigarro impaciente, com aquele olhar inquisidor tão seu. Brava, tão brava e linda, os olhos castanhos que me fizeram pensar na sorte que eu tinha de poder entrar naquele que era o seu mundo, desabitado por pessoas como eu. Eu esqueci do meu atraso e da discussão que teríamos em seguida, e se até aquele momento eu...

O nome que ainda me deixa intranquila

Você está fazendo um tratado sobre Marx e a questão filosófica por trás da sua barba enorme e do seu cabelo sem corte, enquanto eu estou louca pra sentar na primeira fila da sua sala e engolir cada gesto que te faz ser único nesse instante pra mim. Você diserta sobre assuntos que eu nunca ouvi falar e desconstrói a minha vaidade intelectual me deixando sem palavras até para perguntar sobre que raios você estava falando. Provavelmente, como você mesmo disse, deve ser apenas uma questão estética, você enrolando o cabelo castanho, e tentando me explicar coisas que vão além do me entendimento, passando seus olhos azuis procurando a palavra certa, e acertando todas elas. Eu te procurei durante toda a semana seguinte e na próxima, mas depois fui parando aos poucos de te procurar e de procurar passar pela sua rua, olhando bem no final dela na esperança de você estar de repente, sei lá, varrendo a calçada. Você passou por aqui, deu uma bagunçada e foi embora, "todos os direitos reserva...
Mas será que é um pecado mortal essa minha mania de entregar tudo que eu tenho de forte dentro do peito, de bandeja, dar bandeira, não esconder o que eu guardo aqui dentro, e é muito valioso, é nesse ponto que mora o pecado, é o que eu tenho de melhor em mim, eu não deveria dar tudo pra você.