
Essa nova digestão dificultosa, essa fome de nada mais, a saudade que bate do arrependimento, o ímpeto do certo, e a vontade do reconhecimento.
Não sei mais nada do que faço, não sei de todas as verdades, nem tenho certeza das mentiras, não reconheço metade do que fiz, não tenho tantas metades pra me sentir bem com tudo isso. Não sei até quanto aguento a alma corrompida, mas essa tendência ao corrompimento, ao proibido, ao sujo jogo dos seres que nos encantam graças aos seus desastres, com os quais nos identificamos, com a certeza do que é errado, e da sensação de que é isso o mais estimulante.
Não sei da metade das verdades que digo, mais tenho certeza das mentiras fáceis, dessas eu não me engano. Eu vivo no mundo do descomprometimento, das promessas raras e da memória curta, nada mais natural que eu que eu tenha me adaptado ao meio em que vivo.
As mentiras que construo a cada dia, e as pistas que deixo pelo caminho, para não ter mais que disfarçar o meus passos de traçados tortos.
E sai tudo tão depressa, e há sempre um lugar pra eu me esconder, onde ninguém desconfia que eu possa me enfiar, mas as miudezas me permitem, elas são parceiras nesse ponto.
Cansei da falta de sentido, a real, na realidade, nada tem mesmo sentido, a vida é vazia, feita de escolhas que podem ou não dar certo, feita de caminhos que podem ou não nos levar a algum lugar, feita de pessoas que podem ou não nos fazer algum bem, feita da sensação de segurança quando estamos prestes a nos enganar. Um grande teatro! Uma grande peça, um grande desastre, uma ótima piada.
A tragicomédia que permeia nossas vidas, o sádico diretor que a orquestra, e dentro de tudo, as irrelevâncias que nos enganam com seu falso valor, seu valor limitado e esquecível. Quem precisa de tudo isso? Vai saber, os seres-humanos são estranhos, especiezinha que nasceu pras dúvidas, uma criança chorando sempre confusa.
Não funciona mais, me perdi no meio do pensamento, tantas coisas que queriam ser ditas, e se esvaíram no caminho, deve voar por aí sem rumo minha inspiração, se a achar suma com ela, diga para parar de me consumir, mas me avise, e me traga um pouco dela.
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