
Eu andei sozinha e esperei que a tarde me trouxesse alguma resposta, eu ainda estou esperando, eu espero há tanto tempo. E tudo que ela me traz são mentiras de dias perfeitos, são mentiras de dias de Sol, não tem mais dia quente, sendo que o meu Sol já foi embora.
Pobres crianças que crescem cedo demais, pobre de quem tarde cresce sem querer, eu caminhei e devo ter atravessado alguma barreira invisível do tempo, porque depois de atravessá-la, de longe já não sou a mesma, sou várias.
Os anos chegam e você sente falta dos menores números, daqueles que te fazim rir por qualquer coisa, daqueles que você dormia e depois só tinha que acordar, dos sonhos que tinha, e que tinha certeza que podia alcançar, hoje eles se enterram, hoje você enterra seus próprios sonhos, e ninguém lhe diz que isso não deve ser feito, não, cada um tira um pouco de terra pra você.
Você se agarra a uma euforia fugaz, como se fosse o único modo de sorrir novamente, um copo ou um papel, eu me agarro em palavras doces, e me desfaço em passados alheios, os dias e as pessoas correm, mas nunca sabem aonde ir, eu caminho contra o Sol, contra as manhãs e as noites, meus dias são paradoxais, só conheço o Sol, e quem sabe umas poucas estrelas, que quando vejo, nem estão mais lá.
Eu vejo pouco, tudo que queria ver está ao meu alcance mas sempre corre à minha frente, não me faça desistir porque nada tem realmente importância eu só preciso me convencer de que eu ainda não posso mudar daqui, quem conta os meus dias já perdeu as contas, mas nãodemore, que eu estou sempre esperando.
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