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Um tratado


Se eu tiver que falar de amor, vou me embaraçar, vou trocar de roupa e esperar, vou esperar que ele chegue pra me explicar, e então escreverei um tratado, e um contrato, ele não poderá me abandonar enquanto afirmar que existe.
Mas é tão previsível, estou sempre eu, indo e vindo falando dele, mas deixa as linhas tão vazias e sem nexo, não se estabelece nenhuma relação, não se baseia, não se exemplifica, como o texto, só acontece, sai de mim.
Ah esse tal que se afirma puro, vem ser puro no coração de quem me cerca, eles já não sabem como usá-lo, acham que as batidas só valem para si, acham que sorrisos curam tudo, acham que gentiliza existe em qualquer situação, acham que se submeter é a melhor forma de poder.
Alguém ainda acredita em você, amor? Pensam em você, falam em teu nome? Eu não te vejo mais nascer nos olhos de ninguém, eu vejo você se deitar todos os dias e levantar tarde, caminhando tão lentamente para o dever.
Mas dos meus olhos, ah amor, você transborda, e eu não me envergonho e nem me canso de senti-lo, ainda posso te ter comigo, e passear pela rua te olhando apenas, calmamente, como num filme mudo, tudo passando rápido sem barulho algum, apenas nós, caminhando enquanto o mundo não se aquieta um instante.
Vai ver eu te faço existir pra mim, vai ver que na confusão da minha vida, você quis me aparecer pra tornar as coisas mais doces, mais bonitas, mais seguras, mais amor. É, falei de você de novo, será que um dia vai cansar de mim? Porque eu não, estou sempre disposta a te querer, mesmo dizendo e achando que não, mesmo me fingindo de dura, mesmo quando me faz mal, mesmo quando me abandona.
E se eu duvidar de você mais um vez, vou te fazer deixar de existir, então te deixo, mas não me deixe nunca, amor

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