Ela sentava cansada no chão e acendia um cigarro, ou qualquer outra coisa, enquanto ouvia um de seus vinis ela tinha certeza que a música era para ela, ela tinha certeza que quem passava distraído na rua, ouvia e lembrava-se dela, como ela se encontrava importante, quantos sonhos ela acendia com a chama daquele isqueiro vagabundo.
Pensando nele, ela era tão bonita, despia-se das farças e limitações e sorria, só de pensar no sorriso dele, soprava o ar, ao lembrar do seu pescoço e passava mais tempo sonhando com ele acordada, do que todas as noites que passara em seu travesseiro.
Mas do que adiantava? Na outra noite ela saía, e brilhava, na noite em ele não existia mais, quando ele somente era uma lembrança boa de verão, quando ele era um anoitecer na praia, um vento gelado entre os corpos quentes, um sonho bom, e um acordar tranquilo. Preferia ficar com os bons tempos, antes isso que velhos choros e antigas promessas.
Ela anoitecia agora cansada, com sua beleza tola, e seus pensamentos tão seus, ela não deitava nos velhos braços, não tinha a certeza dos lábios, ela cidade, ele tão longe...
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