Vai ver é uma rede, de retalhos costurados um a um pelas mãos de quem deita, se deita, e vai. Vai ver essa rede tenta me cobrir do frio do mundo, cobrir meu frio meus medos e minhas incertezas, meus anseios de jovem e meu derrotismo antigo. Minhas palavras que saem tortas, que derrubam todo e qualquer amor.
Rede que me carrega para longe, de onde eu vim, a vida não me acontecia, era cedo, mas já é sempre tão tarde demais que eu não via saída, eu vim de longe, não tanto a ponto de atravessar um oceano, mas o suficiente para toda a sorte de surpresas que me surgiram.
Eu venho tentando me agarrar a essa rede, rede torta mal cortada, com cada pedaço de vida que foi deixado por onde eu passei, fora os que me tiraram, fora os que eu dei por vontade, eu venho tentando ser melhor, e às vezes o impossível me soa tão infantil e inaceitável, outras tantas ele doi, me enchendo o peito e me pedindo pra desistir.
Hoje eu tento não sentir esse sentimento de mundo, tento esquecer de como é grande tanta coisa lá fora, e que me vêem de longe, com olhos grandes, analíticos e frios. E que eu procuro uma rede, minha rede bordada com minhas histórias com mãos que me conhecem, que me têm por inteiro, que não me tomam por nada, que apagam meus vícios me vendo partir quase sempre.
E mal sei por onde começar, não sei do começo, do meio ou do fim, eu só tenho uma embaçada ideia, uma clara vontade uma ânsia, de que? De tudo.
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