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E o destino não quis

Ele passou pra assisti-la, não ela nunca imaginou que isso aconteceria, foi só um convite sem expectativas, aquela garotinha não tinha muitas expectativas, uma caixinha de música desafinada.
Com aqueles grandes olhos castanhos ele a viu, quem sabe o que ele enxergou, ele tinha uma cabeça de grandes mistérios, além de longos cabelos claros. Ela parecia finalmente encantadora, ela estava a vontade, aquela garotinha que só fazia sonhar, e quantas vezes ela disse tantas coisas a ouvidos que não cabiam ouvir, e que palavras duras pra uma pele tão macia.
Ah garoto, você ainda quer uma chance com ela? A garota sempre se entrega fácil demais para o rapaz do violão, garotinha entrando no papel de mulher. Eu só sei que ela te deseja tanto que é bem capaz que você a sinta qualquer hora dessas, e acho que é essa a intenção, interferir de alguma forma no seu dia, e nas suas tardes.
Quando ele a viu, seus enormes olhos castanhos, seu cabelo escuro sobre o peito, seu olhar confuso com a presença inesperada, ele sentiu naquela hora que alguma coisa estava virando dentro dele, ela quase quis correr e se esconder, mas só conseguiu caminhar na direção daqueles lábios, encostar naquela camisa de lã quente, se embaraçar naquele cabelo selvagem, e naquele momento, ela descobriu que seria só mais uma, e que ele teria todo o espaço possível dentro dos seus diários e dos seus textos carregadíssimos de um romance que poderia ter acontecido. Por que ela tem medo de aparecer de surpresa e de dizer que quer se entregar pra ele como qualquer outra? É que quando o coração começa a bater mais depressa, as pernas não sabem o que fazer, ela lembra daquela janela, ela lembra daquela casa como se fosse um erro, o mais delicioso e atrevido erro.
Garotinha, é assim que acontece nos filmes, quando eles acabam, para o deleite e palmas do público, os atores tiram as máscaras, saem do personagem, gozam do infinito prazer do fim, aquela explosão que você sabe como é sentir, e quando você decide assistir a algum roteiro desconhecido ao acaso, ninguém te promete que ele seja bom, mas mesmo assim você assiste.
Agora aquele belo homem desapareceu, mas algumas vezes ele sempre está presente, eu sei que em algum lugar de seu corpo ele a sente, de tanto que a garotinha pensa, ahh mas aquele homem cruel sempre resolver dar meia volta e voltar pra encher de dúvidas aquela cabecinha oca, que anda pensando demais. Levanta agora e vai lá naquela porta, você sabe muito bem onde ele mora, bate lá, pede pra ele te deixar entrar, fala que sentiu saudade, vê se adianta. Ai, ela não vai, ela não vai, tenho vontade de gargalhar com a expressão que seu rosto apresenta ao ler isso, me diz que se fosse o último dia do ano você iria, me diz que se você estivesse prestes a ir embora dessa cidade você iria, você tocaria aquela porta.Você voltaria a errar mais uma e muitas vezes.

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