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De um Escândalo

Quanto valem nossas decepções, quanto delas é culpa nossa, da imaginação que provoca a esperança, a esperança o ato, do ato a falha. Uma coragem disfarçada de tolice, ou o contrário? Qual é o ponto onde devemos chegar, qual o limite da insistência, é o certo insistir, ou o que já era pra ser certo, assim o começa?
Por que vivemos pressionados com o peso que o mundo joga nas nossas costas, com as medidas convencionadas e o eterno problema de não se encaixar, de viver nos calcanhares do inalcançável, quanta angústia um corpo pode aguentar até sucumbir? Isso é o quê? Um castigo dos céus, imagino a fala:
" Quando teu corpo não estiver mais a aguentar e tua mente mergulhar numa lama de ideias que não lhe cabem à cabeça, dar-te-ei mais um pedaço ínfimo de força, para que não saibas quando teu desespero irá passar"
Não é certo que isso realmente possa ter ocorrido? Porque cada vez ando mais convencida de que passamos a existência pagando pelo enorme pecado de termos nascido, mas voltemos a falar de nossas decepções.
Quem dera o livro da minha vida já estivesse todo escrito, quem dera todas as minhas decisões já estivessem pré-estabelecidas para que eu não tivesse que me arrepender e me responsabilizar por elas. Que bom seria se minhas decepções realmente me ensinassem alguma coisa além de ficar dias na cama ou parar de comer.
O que eu deixo de mim? Qual o meu legado? Se eu não tiver nunca, nada bom para deixar pra trás, prefiro não passar, eu acho que é preciso fazer escândalo, façamos então, cada vez mais, mas por favor, não entenda isso como pressão, os dois lados sempre são importantes.
Eu tenho um lado com sono e um outro que nunca dorme, preciso reportar meus problemas, não, essa frase foi sem contexto, para onde foi o contexto, o sentido? Para onde vão os sonhos que nunca acontecem?

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