O que de você em mim ficará guardado, o que desses tempos que vivo restará em mim? De tudo que ando passando esses dias, de uma forma estranha, experimento também a paz, e o alívio de não ter alguém que dependa do que eu farei da minha vida a partir de hoje, porque acho que agora não posso fazer grandes promessas nem a mim mesma. Sou um amontoado de erros, algumas derrotas, poucos êxitos, feita da minha fé em mim mesma e de alguns bobos maravilhosos que depositam alguma fé em mim. Já de antemão gostaria de me desculpar por não chegar aonde vocês achavam que eu chegaria, e de me derrubar e me perder pelos cantos absorta em afazeres que não são meus, presa nas grades da minha falta de criatividade. Eu não decepciono ninguém mais do que a mim mesma, e culpo o meu mundo que me consome feito matéria viva, se esquecendo da morte que me espiona, se esquecendo do meu declínio ao vasto céu que não sabemos onde fica.
Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...
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