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Ônibus e nada de samba

Minha cabeça se perde em direções, alternativas e conselhos e agonias, eu sou um acorde triste no meio do furacão.
Um furacão quando passa, destrói tudo, leva pra lugares onde mal se sabia que poderiam existir, um furacão leva tanto casas, cercas e árvores, como também sonhos, planos e sorrisos, um furacão nunca deveria passar, um furacão é raivoso em buscas de vida para tomar. Os furacões têm nome de mulher, o da minha vida tem exatamente o meu.
Eu detesto biografias, eu não gosto de falar de mim, tão nua e abertamente, mas esse vento que está levando a minha vida, está me resumindo em fardos pesados demais para serem carregados, uma doença com o meu nome somado à sua rede. O meu medo e minha biografia se misturando, virando um só.
A dor é minha companhia, nada pode me doer mais depois que eu já vi tudo de perto, agora ela me acompanha, o meu medo e meu inconformismo da perda. do fazer as malas e partir, da repartição, não só com o que ela representa, mas com um novo significado agora dado por mim, a partida mais que rotineira da sua vida, a velha ida de novas pessoas, pessoas que te têm e possuem.
Eu estou no centro desse furacão, sou uma vítima de mim mesma e das perdas que eu ganho no caminho, a minha insistência, me corrói, minha fragilidade tão imprópria, minha insegurança e meu amor-próprio lutando.
Minha cabeça me trai lembrando o que é o amor que me mostraram, eu me canso de te querer todos os segundos, que transformam-se em minutos, horas e dias, não deixa o meu furacão te levar de mim, volta que eu reconstruo sua casa, faço nossa morada e te faço feliz, você me mostrou o amor, eu te mostro a felicidade, duas coisas das quais eu teimo a acreditar, mas com você eu me sinto capaz de buscar a felicidade numa tarde gelada e nublada, quero passar estações com você.
Minha tendência a mascarar o que você me faz, me mostra que eu estou perdida a muito tempo, alguém me salve.

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