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O moercego e a gata

Ele voava não esperando nada de diferente da vida, vivia basicamente, no simples sentido da palavra viver. Ela era do chão, algumas vezes das alturas, mas sempre segura do alto de suas superfícies, ansiava pela vida ao ar livre, da clausura de sua total comodidade.
O cenário era um entardecer vermelho de frio outono, ele voando distraído, fora parar do outro lado do muro, a vida ficou para fora, ela estava em seus raros momentos de liberdade, e se espreguiçava. Distraído com tamanha novidade bateu no muro e caiu, viu sua fera e suas unhas, assutado pensou no seu fim, mas enfim, que bela criatura pela qual morrer.
Mas não, o encanto era recíproco, ela admirada com tudo aquilo que ela nunca tinha visto, o encontro silencioso selou um acordo: veriam-se novamente.
Na tarde seguinte, só se podia observar ele voando suave e macio, e ela divertida e rápida, sentindo no breve toque de seus pêlos macios, tudo aquilo que o coração não podia entender. Ele que ocupava o imaginário popular como sanguinário, sombrio, ocupava agora um lugar grande e especial no coração dela.
O amor aconteceu e cinco dias ímpares, para combinar com os ímpares que ficariam os dois, ele nunca mais apareceu, o que aconteceu, quem sabe, o mundo é mais selvagem que seus animais. O muro continuava em pé, e ela descobria agora, que havia vida do outro lado dele.

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