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Um dia isso volta a doer

Eu não posso ponderar, talvez eu só devesse ir, e agora eu me vejo e sinceramente concluo, não é que eu não goste, não é que eu não queira, eu não posso, eu não posso criar essas raízes, eu findo em mim mesma, e eu tenho que ir embora antes que seja tarde.
Não é que ficou pequeno, é que enquanto eu estiver aqui, eu não fico maior do que o espaço que eu ocupo, é o quíron, será que não passa de uma quadratura no céu na hora de meu vir à vida? Essa é a dor que eu eu tenho que aprender a curar, se eu não achar o meu fim, eu não fico nessa cidade, eu não fico em outra, eu tenho que ocupar o mundo inteiro que mora dentro de mim.
E confessamente eu ainda espero que me levem, como o novo álbum das pessoas que eu amo sem conhecer, eu não posso pensar, apenas ir, e que me levem, e que me levem.
"Não adianta tentar escapar, um dia isso volta a doer" e sobre essa frase, de uma forma bem nova pra mim, não é sobre alguém, não é sobre quem me deixou, não é sobre voltar sozinha de lugares vãos, dessa vez é só sobre mim, é sobre a minha pré-disposição à fuga, minha tendência ao abandono, não tem sagitário em mim, mas eu preciso ganhar esse mundo.
Essas linhas imaginárias não riscam o meu corpo, cabe um globo em mim, e eu não estou me contentando com esse pouco, e esse segredo eu vou guardar pra mim, e vou aprendendo aos poucos que eu tenho que guardar muito mais coisa pra mim, é entre eu e você, vamos embora, mas não falaremos agora pra ninguém.
Essas noites não me dizem mais nada, e quando nem uma noite densa não te diz mais nada, é hora de trocar a vivência sob as estrelas.

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