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A_a

Eu assino os textos do blog com a primeira letra do meu nome, eu escolhi recentemente publicar todas essas coisas que saem de mim com a força de um parto, sob a autoria de um simples e diminuto "A".  Sim, por vezes eu me sinto diminuta, uma notinha bemol, um hiato, um solo. Por vezes eu quero mostrar apenas esse "A" que me inicia e me finaliza, escondo todas as outras vogais e consoantes que me compõem, pela insegurança dos que eu julgo conhecedores melhores dessa língua, onde eu fui fundamentada, do berço de onde vim.
Tola Ana, que se começa e se finda, por que eu acho tanto que esses tantos parecem mais simétricos do que eu? Qual o mundo que eles vivem que eu insisto em não fazer parte?
No meu mundo tem tanto riso e tantas cores, o meu mundo preenche toda a parte que poderia ser preenchida por formas aleatórias e esse universo dentro de mim me completa por inteira, tanto que eu tenho dificuldade em achar, ou aceitar, alguém que me complete melhor do que eu mesma.
Eu aprendo que tenho que me dividir às vezes, e eu aprendo que tenho que me bastar por tantas outras. Me leve o ar que respiro, me leve a noite que dança, me leve as músicas que me tocam, as cenas que eu vejo e as palavras que sentencio. Leve pra ele o amor que acredito, minha utopia, e a quem possa chegar, a utopia que transmito.

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Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra  todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha  e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...