Pular para o conteúdo principal

Bauru

Moramos no deserto dessa cidade escandalosa, que nos pinta de cores diversas cada vez que o Sol açoita as costas da moça, da criança, da senhora.
Onde crescemos depois de já estarmos grandes e com isso sentimos por vezes, que na verdade diminuímos e o mundo que está ficando maior.
O peito se expande pra caber tanta lembrança, carinho e pessoas. Depois se enche de saudade, de lembrança e de carinho.
Descobrimos amores, amores que dão asas e amores que as tiram. Mas amores, com suas devidas consequências e medidas.
Achamos por anos que a nossa presente vida nunca mudaria mas sabendo no fundo, bem escondidinho, que acabaria por dar lugar a uma outra vivência.
A chuva que demora cair no cerrado, quando cai vem lenta e abraça tudo. Em dias em que o costume é ficar deitado de frente pra janela, vendo as gotinhas escorrerem pelo vidro, pensando: "hoje tem festa, tem que parar de chover", "queria que aquela pessoa estivesse aqui", "tô com fome, preciso ir ao mercado"
Caminhamos ombro a ombro com aqueles que torcemos pra que fiquem para sempre em nossas vidas. Dividimos segredos, dores, mundos, tudo numa noite entre um e dez copos de cerveja. Descobrimos bares novos, preferimos os antigos e torcemos para que abram outros.
Um dia ouvi dizer que Bauru era como uma cidade portuária, ninguém vem para ficar, atraca e num instante, logo está de partida.
Se você fica, logo está criando raízes, vendo rostos conhecidos que você sempre sabe que vai encontrar, e isso te dá uma sensação de pertencimento.
Mas barco que não sai da margem não conhece o oceano, e o mar tem muito o que te ensinar, marinheiro.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra  todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha  e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...