Tinha dentro de si um relógio que contava o tempo perdido. Todo dia seu relógio interior avançava alguns minutos e formava horas e mais horas.
Acumulava horas gastas tentando adivinhar o que estava acontecendo ao seu redor para que se sentisse tão sozinha, horas em que ficava imóvel de medo de dar o próximo passo, horas em que tentou convencer alguém a lhe dar amor, a entender o seu, ou a ao menos compreender o que se passava dentro dela.
Seu relógio não andava ritmadamente como todo relógio. Seus ponteiros aceleravam quando ficava muito triste, quando começava a se desconhecer e se assemelhar mais com sua sombra do que com sua presença viva, e ele nunca despertava.
Só se deu conta de seu fardo quando já estava velha o suficiente para começar a se preocupar com perdas de tempo. O que a deixava por vezes confusa: Se seu relógio acumulava horas perdidas, como poderia considerar aquele tempo, perdido por completo? Não levaria com ela para sempre, todo o tempo que perdeu?
Um dia decidiu que levaria uma vida de perdas de tempo irrecuperáveis, começou a perder tempo parando para cheirar uma flor na calçada, para admirar a laranja mais bonita exposta no mercado. Perdeu tempo reparando no sorriso de uma criança e nas rugas cheias de história, de um senhor sentado na varanda.
Perdeu tempo olhando dentro de si e viu nesse instante que seu relógio tinha parado. Bateu e sacudiu, como fazemos quando os relógios normais de pulso param de andar, mas nada, simplesmente parou.
Todo o tempo que perdeu a vida inteira, finalmente estava perdido para sempre, e nada melhor do que deixar o tempo, que passe, e que se percam as horas, da melhor maneira perdê-las.
Acumulava horas gastas tentando adivinhar o que estava acontecendo ao seu redor para que se sentisse tão sozinha, horas em que ficava imóvel de medo de dar o próximo passo, horas em que tentou convencer alguém a lhe dar amor, a entender o seu, ou a ao menos compreender o que se passava dentro dela.
Seu relógio não andava ritmadamente como todo relógio. Seus ponteiros aceleravam quando ficava muito triste, quando começava a se desconhecer e se assemelhar mais com sua sombra do que com sua presença viva, e ele nunca despertava.
Só se deu conta de seu fardo quando já estava velha o suficiente para começar a se preocupar com perdas de tempo. O que a deixava por vezes confusa: Se seu relógio acumulava horas perdidas, como poderia considerar aquele tempo, perdido por completo? Não levaria com ela para sempre, todo o tempo que perdeu?
Um dia decidiu que levaria uma vida de perdas de tempo irrecuperáveis, começou a perder tempo parando para cheirar uma flor na calçada, para admirar a laranja mais bonita exposta no mercado. Perdeu tempo reparando no sorriso de uma criança e nas rugas cheias de história, de um senhor sentado na varanda.
Perdeu tempo olhando dentro de si e viu nesse instante que seu relógio tinha parado. Bateu e sacudiu, como fazemos quando os relógios normais de pulso param de andar, mas nada, simplesmente parou.
Todo o tempo que perdeu a vida inteira, finalmente estava perdido para sempre, e nada melhor do que deixar o tempo, que passe, e que se percam as horas, da melhor maneira perdê-las.
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