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Meu centro

Eu ando pelas ruas enquanto a chuva vai caindo, os meus cabelos molhados mostram que eu consigo ainda sentir alguma coisa, que algo ainda me atinge, depois de todas as situações que me fizeram mais dura, ou dura demais.
Será que alguém consegue me ver com essa cortina de água que se tornou o meu rosto? Será que alguém ainda consegue me salvar dessa tormenta? Será que a chuva nunca mais vai passar?
Eu estou tentando, não diga o contrário, mas meus braços são muito pequenos pra eu abraçar seu mundo, que me escapa todo dia um pouco mais.
Só não tirem minha inspiração, nenhuma delas, que me fazem esquecer por muitos momentos que o dia tem que continuar independente da minha vontade, e que os dias passam, cada vez mais rápido e eu continuo parada debaixo dessa chuva, descobrindo que ninguém tem que me salvar, eu tenho que tentar sozinha, é assim que eu vim, e é assim que eu vou sair.

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Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra  todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha  e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...