O que temos é a falta, falta de um amor, falta de algo nosso, falta de fugir da realidade mesmo que isso possa parecer covardia, dependência, ou fora da lei, eu tenho a falta de acontecimentos bons, de salvações, de milagres testemunhados, de confiança.
Quando eu tento acreditar em alguma coisa, ela se desmorona na minha frente, é a minha famosa tendência ao abandono? A minha herança cármica? Mandarei então tudo ao inferno, que é a única coisa de que eu sou capaz, com essa pouca força tão grande que eu tenho, e com essa coragem fina, frágil e fugitiva.
Queria não sentir medo, mas nem sempre é fácil não sentir medo, não é fácil quando você tem que pensar por você mesma, se responsabilizar por suas ações, arcar com suas escolhas, e não apenas carregar na mochila, bem escondido, tudo que possa te incriminar.
Nossas vidas não são novelas, os sofrimentos são bem verdadeiros, não ficamos com o mocinho, a justiça tarda e falha. Tampouco são filmes, não tem a trilha sonora bonita e não temos que esperar no máximo três horas para o final feliz, alguns esperam muito, alguns esperam mais que outror, outros não esperam nunca, alguns, só esperam.
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