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Ausente

O que temos é a falta, falta de um amor, falta de algo nosso, falta de fugir da realidade mesmo que isso possa parecer covardia, dependência, ou fora da lei, eu tenho a falta de acontecimentos bons, de salvações, de milagres testemunhados, de confiança.
Quando eu tento acreditar em alguma coisa, ela se desmorona na minha frente, é a minha famosa tendência ao abandono? A minha herança cármica? Mandarei então tudo ao inferno, que é a única coisa de que eu sou capaz, com essa pouca força tão grande que eu tenho, e com essa coragem fina, frágil e fugitiva.
Queria não sentir medo, mas nem sempre é fácil não sentir medo, não é fácil quando você tem que pensar por você mesma, se responsabilizar por suas ações, arcar com suas escolhas, e não apenas carregar na mochila, bem escondido, tudo que possa te incriminar.
Nossas vidas não são novelas, os sofrimentos são bem verdadeiros, não ficamos com o mocinho, a justiça tarda e falha. Tampouco são filmes, não tem a trilha sonora bonita e não temos que esperar no máximo três horas para o final feliz, alguns esperam muito, alguns esperam mais que outror, outros não esperam nunca, alguns, só esperam.

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Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra  todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha  e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...