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Diário de impressões - 2°

Vai ver é isso...Está escuro e tarde, faz um silêncio ensurdecedor, eu já passei minha cora de mal hoje, e pode ser que se agora eu deixasse de existir, ninguém perceberia, porque todos dormem, e assim é bom.
Agora o que vejo me surpreende muito, é uma parte minha que eu gostaria de matar, mas temo (muito) não conseguir, pois no fundo, pra algum lugar ela me move, e eu vejo um tanto do meu algoz no meu guarda-vidas, de que maneiras eles combinam? Até onde vai a minha imaginação e quando começa a realidade?
Tenho vontade de gritar agora, sinto algo em minha barriga, sinto uma mistura de medos e desejos, uma falsidade sendo gerada para esconder minha verdade: eu não gosto de conversar, gosto de dizer escrevendo e isso está cada vez mais difícil, me fazem perguntas...Sim, está tudo bem, na medida em que você precisa saber, na quantidade em que quero contar.
Não sei se realmente gosto do silêncio, mas nem vem, não sou simetria, nasci desconexa.

Comentários

Daniela disse…
Detesto questionamentos, pois eles me aperfeiçoam na arte da mentira. Seu texto está maravilhoso. Beijos.

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Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra  todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha  e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...