Cheguei em casa e a minha covardia acha que a coisa mais cruel que posso fazer é acabar com a meia garrafa de vinho barato que tem na geladeira, das outras coisas cruéis as pessoas se incumbiram, as pessoas da minha família torta e deprimente, problemática e amedrontadoras, aquelas que eu tento esconder na imagem da confusão, aquelas que se escondem por detrás de brancos sorrisos, mas que deixam cair seus pedaços corroídos a cada esquina.
A minha covardia se envergonha de mim, e eu me orgulho da pouca coragem, da coragem confusa e sem razão de ser, da coragem que eu larguei em algum canto e nunca mais achei, da coragem que me apresentou ao medo, juntou nossas mão e disse que nos daríamos muito bem.
Olha, eu tô é muito cansada de mim, eu queria renascer das minhas cinzas por mais patético que isso soe, porque acho toda a minha existência patética, e acho patética a existência de muitas outras pessoas e isso está me esgotando.
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