Ela tem um jeito de chuva naqueles dias quentes de verão, tem a presença esperada e bem vinda, quando aparece deixa tudo bonito, faz a vida ser leve, e o ar não pesar tanto. Se não fosse ingenuidade, diria que ela é um deusa, guardiã do ventos e das árvores, ela é minha natureza e meu cataclisma.
No meio disso eu sou uma plantinha do caulezinho fino, que dobra com o vento, e se lamenta da fraqueza, e ela é carvalho forte, que me acolhe e me abriga. Ela tem olhos de gota d'água, olhos calmos que fitam encantando tudo, que me levam a divagar, "onde vai crescer essa beleza?".
Terá uma noite em que eu não conseguirei dormir, eu vou telefonar e dizer que estou indo buscá-la, ela vira comigo e eu terei que tocá-la para saber que é real, que um anjo em terra me caiu, que me ensinou da vida ser recuperável, da chuva ser fria e do amor ser doce, de brincar de maldade, no enlace de pernas, me perder, e me levar para aquele mundo que um dia acabei perdendo, o que era belo, fresco, e onde a chuva só me fazia esperar por ela.
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