Pular para o conteúdo principal

Ensaio do fim


Eu soube que o tempo anda passando, e não tem me chamado para ir junto, soube que ele me vê de longe, e sem vontade, sem esperança, abaixa a cabeça e me deixa de lado, só queria dizer para ele não desistir de mim, que estou disposta a ir em frente que não quero ficar parada, atada, chorando ou fingindo uma alegria instantânea, quase bêbada.
Eu resisto à vontade de mandar o tempo voltar, de trazer de volta meus sorrisos, meus sonhos, meus amigos, e meus passeios de fim de tarde, de me fazer de novo ter aquela anestesia geral do mundo, de gerar a vida e quase não sentir, enquanto eu acho que isso não tem fim, o fim sempre está próximo, e eu tento fechar os olhos, e não ver passar, não ver quem passa por mim.
Tenho medo de no fim, ser apenas lembranças, lembranças de uma vida que eu vivi, e que no fim de tudo, vai se confundir com a que eu gostaria de ter vivido, ou com a que eu esperava ter vivido. Não quero ser um eterno domingo esperançoso, eu quero realizar e sinto que está tão tarde, e a cada dia que passa, é um dia a mais que sinto meu corpo cansado, por isso as horas podem doer, queria ter vocês mais perto, para testemunharem minha existência, e quando eu estivesse cansada demais para lembrar, vocês seriam minha memória viva, meus desenhos de criança onde a casinha torta representava tudo o que eu imaginava que seria felicidade, tudo o que eu podia pensar.
Eu torço pela vida, torço para que meus braços sejam fortes fortes para sustentar a sede que eu tenho de mundo, e para que eu possa abraçar a todos que eu amo e que representam mais profundamente quem eu sou, eu sou parte de todos vocês.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra  todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha  e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...