
Eu soube que o tempo anda passando, e não tem me chamado para ir junto, soube que ele me vê de longe, e sem vontade, sem esperança, abaixa a cabeça e me deixa de lado, só queria dizer para ele não desistir de mim, que estou disposta a ir em frente que não quero ficar parada, atada, chorando ou fingindo uma alegria instantânea, quase bêbada.
Eu resisto à vontade de mandar o tempo voltar, de trazer de volta meus sorrisos, meus sonhos, meus amigos, e meus passeios de fim de tarde, de me fazer de novo ter aquela anestesia geral do mundo, de gerar a vida e quase não sentir, enquanto eu acho que isso não tem fim, o fim sempre está próximo, e eu tento fechar os olhos, e não ver passar, não ver quem passa por mim.
Tenho medo de no fim, ser apenas lembranças, lembranças de uma vida que eu vivi, e que no fim de tudo, vai se confundir com a que eu gostaria de ter vivido, ou com a que eu esperava ter vivido. Não quero ser um eterno domingo esperançoso, eu quero realizar e sinto que está tão tarde, e a cada dia que passa, é um dia a mais que sinto meu corpo cansado, por isso as horas podem doer, queria ter vocês mais perto, para testemunharem minha existência, e quando eu estivesse cansada demais para lembrar, vocês seriam minha memória viva, meus desenhos de criança onde a casinha torta representava tudo o que eu imaginava que seria felicidade, tudo o que eu podia pensar.
Eu torço pela vida, torço para que meus braços sejam fortes fortes para sustentar a sede que eu tenho de mundo, e para que eu possa abraçar a todos que eu amo e que representam mais profundamente quem eu sou, eu sou parte de todos vocês.
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