Eu tenho lembranças, e elas muitas vezes me doem, elas não sabem onde chegar, batem no espaço oco e voltam, e me atormentam, como o mundo, elas me doem. Eu me perco entre problemas mundanos e erotizo o mundo à minha volta, porque eu aprendi com eles que isso é bom, e é só o que me resta, eu não sei se é isso, eu sei que é tarde, eu estou usando muitas vírgulas e o tempo não parou pra mim, nem pra gente, ele não parou naquele dia, foi só uma impressão minha, foi só um desejo, são só os desejos que me movem ultimamente.
E eu preciso de um monte de trilhas pra conseguir sentir alguma coisa que se valha a pena escrever, e escrever pra quê? Pra eternizar a minha insignificância, e um dia achar, que sim, foi importante, e valeu a pena, valeu a pena seus olhos, e o seu corpo, nada mais profundo que seus olhos, nada mais íntimo que o seu corpo.
Todos esses pequenos homens achando que são grandes demais para o corpo que têm, e todos eles me cansando com todas essas falas que saem da boca gritando o tom da genialidade e que são apenas votos de sanidade pra um mundo que não nos merece, mas que nós merecemos, merecemos o mundo que nos veio.
Menos você, você que ainda me soa doce, que ainda me faz perder o tempo que não tenho, eu descobri seu nome, numa atitude desesperada de descobrir seu segredo, qualquer um que também pudesse ser meu, podíamos fazer um segredo só nosso, pra outras pessoas terem a curiosidade de descobrir, podíamos pegar umas roupas e dar umas voltas por aí. Queria ter um rosto mais bonito em fotos para aparecer do seu lado, ser mais de alguma coisa pra te despertar interesse.
Tem hora que eu canso, de todas essas belezas fugazes, de todas essas lembranças cruéis, de todas as palavras fáceis, de tudo que eu vejo e me enraivece porque eu não sei... porque eu não sei nunca de nada, até o dia ficar claro e eu ver que alguma coisa me motiva, se é o Sol, se é a possibilidade do "nós", eu não sei, mas é um emaranhado de coisas, e todas acontecendo ao mesmo tempo, me fazendo ficar parada, quando eu tenho que me juntar, de todos os lugares que eu me espalhei.
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