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Grito

Eu tenho muito medo do que eu estou fazendo por você, eu não sei muita coisa de nada, e eu não sei no momento se estou me afundando ou nadando acima da água, eu não sou nada especial, e isso nem é tudo, é só um pouco dessa imensidão que existe dentro de mim, porque eu não sou feita apenas de horários, compromissos, esquecimentos e recusas, tem uma parte em mim que voa, tem um pedaço das minhas mãos que voam, e elas querem encontrar alguma coisa que ainda não conseguem pegar, e eu tenho medo de perder isso pra sempre, de me desviar dos meus meninos perdidos e nunca mais me perder com eles, pra nos acharmos mais pra frente, quando tudo estiver definitivamente perdido.
Pra onde foram minhas raízes? Eu as subestimei e elas me fazem falta agora, quem sou eu senão uma divisão de mim mesma em várias pessoas e lugares, e momentos só meus, e eu tenho que me lembrar disso cada dia um pouco, eu também sou dúvidas e sou erros, deve ter alguma coisa boa aqui em algum lugar...

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Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra  todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha  e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...