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Sem

Deixa a porta aberta mas não me pede pra voltar, vamos juntas por essas ruas que são nossas antes de ser de mais ninguém, que são suas antes mesmo dos meus pensamentos, e de todas as circunstâncias, que são de todos antes de tudo e do fim.
Eu não espero mais nada, se eu pudesse dar um tempo de tudo, apenas dava, eu não quero mais esperar por um sentimento que não vem, eu só quero contar com esse que já é nosso. Tem tanta coisa que precisa ser escrita e eu não sei nem por onde começar, mas isso eu sei, e não é o que idealmente eu precisava saber, mas é a única coisa que eu tenho segurança em saber, e nem é muita, e nem é tanta, o que eu sei? A única coragem que existe em mim é a de assumir que eu não sei de nada, e isso me dá um medo danado.
Eu não tenho estrela nenhuma que brilha junto com a minha concepção, eu não tenho partes de meu corpo virados para a lua além dos meus olhos em todas as noites em que ela me deslumbra, eu não tenho comprometimento com os afazeres que eu devia amar, a minha imperfeição é tamanha e é bárbara.
Me salve noite deste arranha-céu sem fim, me salve dia desse abismo pro qual caminho, me salve vida e consciência desse drama do qual não em canso de entediar ouvintes e leitores. Salve letras desse destino previsível e inoportuno, só não me salve do amor, ele é meu dilema, ele é o meu ser.

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Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra  todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha  e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...