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De encontro

Oi, quanto tempo! Eu só estava passando, nunca mais entrei nessa rua, nem naquele café, nem nessa cidade, nunca mais! Na verdade continuo nos mesmos lugares, mas é outra de mim, não era aquela de três anos atrás, nem da semana passada, foi outra que chegou aqui, às vezes a gente tem que deixar pra trás algumas coisas, porque elas se tornam muito pesadas pra carregar.
Sim, eu tive coragem, ela aparece às vezes do nada, diz o que tem que dizer e vai embora, ela veio e me deixou ali prostrada quando foi embora, mas já tinha dito tudo.
A culpa? Ah, a culpa foi do horóscopo, do 2015, do ano de Marte, a culpa foi da crença, na metafísica e nas pessoas. Sim, me disseram que não há culpados, e quem eu culpo nesse caso?
É, eu não lembro de muita coisa, eu quis esquecer algumas, outras o tempo levou, o tempo faz isso não é? Quando você acha que ele pode trazer com o passar dos anos, ele esfria o café, apaga a chama, e queima em outro lugar, é muita responsabilidade pro tempo, coitado...
Ah sim, hoje é menos, é que tinha uns planos, umas ideias, cozinhas, jardins e crianças que ficaram pra trás, eu não sei onde colocar umas bagunças que me restaram, rs. Não, magina, é só um cisco, é o que dizem, a gente tem que entrar sabendo que um dia vai acabar, é que até acabar, a gente acha que não vai acabar nunca.

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Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra  todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha  e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...