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Tiê-Sangue

Eu quase consegui bater asas e voar pra longe da gaiola que me aprisiona enquanto  insisto no Pássaro - Preto que mora nela, eu Tiê-Sangue, vou perdendo a cor até minguar, vou deixando de cantar, esperando na gaiola do meu coração de passarinho, aquele Pássaro - Preto que não me completa mais.
Vou esquecendo que tenho minhas próprias asas vermelho vivo, meu vôos, meus semelhantes, minha própria vida aérea pra me entregar, e vou vivendo a espera do Pássaro- fúnebre, que não vem, que não quer, que não, só não.
Não adianta esperar outro pássaro aparecer, tem que voar distraída, tem que se encantar novamente, pra poder encantar novamente, então outra ave vem, e vem sem se fazer esforço pra ela ficar, e ela abre a gaiola e te tira de lá porque não tem porquê você esperar, ela acontece, ela vem, ela sim.
Tiê-Sangue volta a se pintar, esquece os que a esqueceram, volta a cantar em outro ninho, porque amor de passarinho não é isso não, aprende Tiê-Sangue, voa de vez, não esquece do que você é, passarinho voa, confiança é amor.

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