Pular para o conteúdo principal

Na hora

E aquele céu sempre me diz tanta coisa, as cores têm sabor, devo mesmo confiar em quem não apenas repara nelas, mas fala delas. Hoje ele me disse o que eu não estava conseguindo dizer, ele me perguntou:
_Por que?
Não soube o que responder, eu me enganei, me atrapalhei, e ele percebeu, fui ver a tarde passar e ele deixou eu ficar lá bem embaixo de seus olhos, sem reclamar, sem me anular.
Eu devo ter feito o melhor, porque eu ouvi depois, aquelas coisas comuns, que de repente rarearam, e que por um momento eu esqueci, eu voltei por um tempo, voltas.
Quem sabe onde eu vou parar? Então por quê parar?
Ele me deixou continuar, acho que recebi uma segunda chance, acho que fiz as pazes com ele. Me entendeu sem eu explicar, só me viu, e deve ter pensado alguma coisa desse tipo:
_Olha pra ela, como é pequena, viver nesse lugar deve ser realmente difícil, é tão grande pra eles. Como posso esperar resoluções de alguém que chegou aqui sem nenhuma explicação? Não sei porquê mas gosto dela, deve ser alguma coisa com o jeito que ela leva as coisas, como ela faz tudo errado, como ela se confunde, e como parece tão segura quando está prestes a se enganar. Eu gosto disso, alguma coisa nisso tudo pareceu dar certo então. Então está ótimo pra mim.
E foi assim que ele se despediu, não sei quando vamos nos ver de novo, mas eu sei que ele está sempre aqui, bem lá, não me olha sempre, nem eu pra ele na verdade, mas estamos juntos, e estamos bem agora.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra  todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha  e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...