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Sol de inverno

Me espere numa rua escura qualquer, procure enxugar meus olhos e meu coração, enxugue a calçada que molhou os meus pés, enxugue o estrago que a chuva me fez, e me tira o sono incessante, que não morre, e me corroi.
Eu tento não cuidar de tudo, muito menos dos seus passos, dos seus verbos, mas eu não tenho conseguido, acima de tudo, isso é verdadeiro, é meu. Eu tento não afastar o meu caminho do correto, do seu, mas o que é nosso pra mim, fica cada dia menor, cada dia eu sinto menos o que podia ser nosso.
E eles vão dizer depois: "Estávamos certos", e eu vou chorar, ou vou achar melhor assim? Não quero pedir, nem esperar mais nada, mas isso é o certo? Eu não tinha que ter você, assim como todos os outros?
Eu perdi minha pontuação, me sinto sufocada, e com tanta raiva, mas ao mesmo tempo, eu quero você a todo instante, e eu te tenho, mas não do jeito que eu esperava, eu espero muito, imaginava ainda mais.
Com que olhos eu vou te olhar dessa vez? É tanta loucura sem explicação, é tanto de outros que passaram e que parecem não irem embora nunca, e eu só deixo o tempo passar, como se tudo isso fosse passageiro, passageiro sou eu, fugitiva, sempre. E pela sorte, e tudo por essa sorte, que eu não ganhei pra ter, mas que me seguiu e eu acabei trazendo, onde eu dispenso?
Vou ver o meu Sol, e me esquentar dele, é meu também, tão meu quanto você, tão perto e quente, me assusta e me afasta, mas eu preciso, e sei que preciso, pelos cantos, pela frente, mas por perto, pra eu olhar poder ver, e assim eu caminho

Comentários

Daniela disse…
É essa nossa mania de dar nomes e esperar demais. Lindo texto.

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