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Aquece

Tão frio, tão frio, o amor me aqueceu, eu pude senti-lo no ar, como uma borboleta amarela e pesada pousando suas asas de ligeira vida em meu ombro esquerdo.
Tão longe ela foi morar do mesmo jeito me larga a vida nesse mar, marasmo de sempre incerto e sereno, eu nem sei mais onde posso ficar, mas sempre tenho uma idéia de onde posso ir, e não preciso esperar você voltar, porque você sempre está comigo, eu não temo te perder, pois se perder eu me perco junto, no meio da floresta, entre borboletas e grilos mudos que se calam diante de tanta beleza, não ousam assustar minha criança, não ousam entrar na nossa dança.
O meu sonho da ilha deserta, a rede, a luz, a lua, o fogo, a melodia, as notas que até me doem o coração, tudo reunido em um só refrão, em uma fantasia distante, num mundo radiante que se abre para nos abrigar.

Comentários

Unknown disse…
Lindoooo
Ameii Ana.. muito sensível..
Lindíssimoo
Adoro ler o que vc escrevee..
Bjuss
Te amoo

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Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

Eu fico aqui então cantando pra Lua e pra  todos os outros astros, os agudos que queria dar pra você. Fico além de com todo esse orgulho ferido que ganhei, com a humilhação delimitada pela sua superficial amizade. Eu não fiz uma sequer rima que você achasse digna de encaixar na sua história, e eu fiz várias, e boas. Você não sabe muito sobre mim, eu tentei juntar o máximo de pistas que eu tinha  e não descobri nada de seu, o ar de mistério que paira sobre você, agora me deixa ver muito mais do que eu gostaria. Mas então eu vou te dizer por aqui mesmo o que estou ensaiando pra te dizer há um bom tempo, e eu vou tentar ser o mais transparente e sincera possível, e todo esse esforço (porque espero que consiga imaginar o quanto isso é difícil) é por mim, não é porque acho que você possa ponderar sobre o seu distanciamento sempre tão bem estruturado. Eu procurei ir além das meias palavras que a gente sempre trocou, não dava porque dentro de mim todas as palavras que eu poderia t...