
Não existe mais profundidade, é tudo tão voraz, tudo passa tão correndo, esperamos tanto de nós, espero tanto dos outros. O que poderia significar um quadro berrante? Eu preciso de sentimentos, sentimentos os quais me abandonaram, eu tinha tantos, mas agora me sinto tão oca, isso desespera, destrói.
Toda hora indo para um lugar diferente, sempre mais uma na multidão, como um dia isso me soou como vida? É um calvário, o enterro da leveza que um dia existiu, extinguida, resumida em provações e obrigações.
Eu lembro do dia, mas não vejo a claridade, faz um frio doído que gela o meu rosto e corta meus lábios, quando esticam-se num sorriso, sangram, olho pro espelho: "Não desista, não desista". Preciso de dias, dias para mim, noites quentes, pele macia, cabelos ao vento, tudo que merece a nossa idade, tudo que de repente ficou tão distante e triste.
Mais horas nesse relógio surdo, que não mostra o tempo, conta o tempo.
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