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Fragilidade


Tem um desassossego que insiste em aqui morar, ele precisa de um programa, algum lugar pra ir, alguém com quem compartilhar, ele precisa ser visto, ser saciado extinguido. Ele mora nos meus pés e embaixo da mesa, nas minhas mãos, sai da minha fala e pele.
Ele quer dormir por semanas e se levanta cansado, disposto a sentir o que não vê e o que muitas vezes não existe, esperando sempre ser salvo por alguém especial, com atenções e surpresas, oh fingimentos! Oh enganos tão sutis.
As dores não são físicas, tem um tanto de emocional, eu começo a sentir o que a mente não se esquece, é o desassossego que me enfurece, que me atira as coisas janela abaixo, a falta de uma música que se encaixe, a falta de palavras que expressem, o querer de ser, ser o que não deve ou do que não pode.
O nulo, o complexo, que de repente flui tão facilmente, como costumava fluir, por todos os poros, despertando todas as emoções e aliviando o que se agarrava, sempre preso ao coração comprimido num corpo que não se expande.
Quando será que tudo ficará bem? Quando a mente se aliviará? Eu posso escolher tantas palavras e me faltam mais tantas e tantas opções, eu poderia escolher tantas palavras que me escapam que fogem, e eu não ouso ir atrás delas por esse caminho tortuoso, o medo me consome, como consumiu já a tanta gente.
Como uma dança ou um grito, uma pitada de anormalidade, de erros que causem risos, de joelhos ralados no chão molhado de álcool, ou ácido, ou o tombo que os olhos embaçados pela fumaça causem, um refúgio, preciso fugir desses gigantes que me tornam tão pequena e mínima.
Tão imersa em obrigações e decisões rápidas, entendam, todos precisam de tempo, tempo para pensar e agir, não encurtem meu relógio, não sejam donos das minhas horas, nem eu cometo tal audácia.
Consegui me superar um pouco dessa vez, um pouco mais parecido com o que um dia eu fui, o jeito meu arrancado à força, e de repente a melodia certa, aquela que demorou tanto para vir, mas a que se encaixa, intriga, emociona, faz girar tudo ao redor, ela movimenta meu mundo, ela troca tudo de lugar ela mudou o pensamento, os sentimentos, as circustâncias, malditas circunstâncias, me permitiram agora, me permitirão sempre.
Voltem grandes olhos, deixe eu te olhar mais um pouco, olhos que me olham tão a fundo e profundamente, minha intensidão, meu à flor da pele, minhas flores de lótus e de laranjeiras, meu jardim inteiro e minha castanheira, não arranquem suas raízes de mim, não quebrem seus galhos, sejam minhas forças, minha sombra e meu descanso, meu respiro de ar puro, minha vida tão compartilhada por vocês, e a minha fragilidade e os meus medos que galopam por suas intervenções.
Minhas referências e a minha segurança, meu desassossego que se vai, que dilata no meu peito, estoura e se espalha, pra sempre? Nunca. Por pouco tempo? Em relação a que? Pode ser pouco ou demais, pode ser o suficiente e o esperado. Suas mãos nas minhas, e as nossas que se fecham, num acordo, numa verdade, no maior amor do mundo, no carinho e na sinceridade, eu faço das suas e vocês da minha... vida, que segue separada, mas paralelamente.

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