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No frio

Eram nessas manhãs em que o Sol nasce gelado que Maria se lembrava que devia haver uma esperança para o mundo, ele era bonito, apesar de tudo, ele vez ou outra lhe dava um motivo para acreditá-lo. Maria não precisava de muito, sentava em algum café e pedia um cappuccino com creme, pequenos prazeres, grandes felicidades.
No vento, Maria se agarrava ao casaco como se fosse a última esperança, ela bem sabia que dois braços fortes podiam  esquentá-la bem mais, ela bem sabia...mas onde estavam esses braços? Na fugacidade de uma noite ou na ilusão de uma conversa, ela já não queria isso, Maria era do tipo de mulher que nascera para o amor, não existia quando não estava apaixonada, e mesmo quando não era correspondida, a paixão dava ao seu mundo gelado, cores que os dias sem amor não lhe davam.
Fruto do machismo, Maria acreditava que precisava de um homem para sentir-se completa, sentia vontade de dividir chocolates e cadeiras no cinema, sentia vontade de acordar com a visão do outro ainda dormindo, Maria não sabia que além de tudo isso, um relacionamento também incluía chateações no pacote.
Ia andando pelas ruas frias e pensando em todos os aspectos de sua vida, via as luzes do pré-natal que já estava para chegar, sentia falta de algo que a preenchesse, embora ela já estivesse completa, mas não sabia. Foi nessa noite fria que Maria um dia a viu, uma pessoa como nenhuma outra, de repente Maria soube que sim, era ela, era a pessoa certa, por quem um dia ela esperou. Fez as malas, levou todos os seu livros e algumas roupas, suas caixinhas de memória e suas cartas do tempo de juras de amizade eternas.
Cabia em Maria agora, mais do que dias frios e cappuccinos com creme.

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