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Antipaleontologia

É bom perceber que você não me doí mais, sentir que superei mais essa, é bom e frustrante, porque me mostra a fugacidade das coisas, de um sentimento que eu julgava tão grande, e também porque eu sei que mesmo não doendo, não passou, porque são coisas diferentes, você já está escrito em mim, e em tantos lugares onde eu escrevi você.
Eu posso até dizer seu nome sem um arrepio percorrer o meu corpo, e lembrar do que tivemos sem receio e sem saudade, só lembrar com um gosto bom de lembrança doce que me ocorreu rotineiramente, e foi tão rápida e tão rasa, que não era motivo para eu ter ido tão fundo, mas a minha personalidade vulcânica me obriga a ser intensa, e eu não me arrependo, tanto que não me envergonho de ter enfrentando alguns olhares  indiscretos e opiniões que me afligiam, tanto que ainda vou te falar sobre tudo que senti que você nem imagina, e eu vou tentar escolher bem o momento de te dizer tudo isso, e ver você brincando com as minhas palavras, te contar para eu finalmente ter a paz de passar por você sem me preocupar com o jeito de andar, e sem evitar olhar para a direção que você está.
Sim, você foi parte de mim nessa cidade, desde o primeiro momento em que minha vida nela começou, você foi parte de um começo, um ensaio do fim, eu não prometo aqui "um dia você será meu" isso não é uma provação e nem uma novela, eu sei que o que foi, é apenas o que foi e nada mais, pode ser que não tenha acontecido da maneira que eu esperava, realmente nem passou perto, mas foi o que tinha que ser e é bom poder aceitar. Em mim, fica a dúvida do "quem sabe", a inquietude do "um dia" e a tranquilidade do "passou" .

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Para você

Oi meu caos, hoje você apertou esses olhos num sorriso e os segundos até você desapertar e configurar novamente seus olhos castanhos num círculo, congelaram até você deixar de sorrir.
  Não sei, acho que com o tempo eu fui perdendo a vontade de escrever só pra mim, como se minha  própria escrita não me saciasse mais, parece que já não sei mais palavras suficientes, que não carrego  mais emoções nas minhas frases, que cada ruga nova que surge no meu rosto contasse mais histórias  que qualquer história que eu pudesse escrever. Poderia ser totalmente dramática e dizer que a vida tirou tudo de mim mas também poderia ser  pragmática e dizer que a quantidade de tempo passada no celular limitou algumas conexões do meu  cérebro e não consigo mais colocar tanta emoção nas coisas. Mas também teve a rapidez com que a  vida passou, as obrigações que tomam todo o tempo livre e o corpo e a mente tão cansados que  quando o ócio chega ele precisa ser rapidamente anestesiado. Também teve a questão da falta do que dizer, ou melhor, da falta de sentir, eu volto ao início porque  foram me faltando palavras, foi me faltando dar nome às coisas...

É...

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